domingo, 28 de setembro de 2014

Lugares

Onde tem pinheiro,
com certeza não dá cajá.

E onde mangueira,
com certeza não manacá.

Humano


Raio fugaz no céu da cidade.
Poça d’água em tempestade.
Fogo flamando fugacidade.
Folhas de outono sem perenidade.

Tudo inquietude.
 
Sinabre fulgurante em movimento.
Desprezo em busca de acalento.
Dor que procura o seu unguento.
Agitação de cabelos ao vento.

Caça à completude.

O vácuo ansiando o ar.
Tensão da corda antes de torar.
Bola de sabão prestes a estourar.
Gota na torneira antes de pingar.

Tanto macro, quanto amiúde.

A incerteza da clarividência.
Dos ciclos do ano, a intermitência.
Imprevisibilidade da reticência.
Traços de uma eterna carência.

Ausência de plenitude.

Seria um defeito ou uma virtude?

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O encanto



O encanto: uma luz.
Amarelo translúcido que reluz,
pleno, no peito.

E haja feito
o interesse num ponto, em meio a tanto,
o olhar repousa nesse canto.

E fica.

O admirado, o que se ama:
algo alheio que fulgura como chama.
Alumia dentro.

Um ser outro, num momento.
Densamente, um espelho refletido;
instantes de ser eu contido.

Espanto.
Um novo belo,
encanto.

Dedico este poema ao professor Manfred Osterroht.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Amarelo


Amarelo tininte
Brilho solto
Difuso

Luz gritante
Intenso
Amarelo ardente

Fluido no peito
Vivo
O sol

Amarelo voante
Solto
Como rouxinol

Azul

             
Quando ando ao intento do azul denso,
me acalmo, me deixo o sentir lento
e manso, e mole, redondo, imenso;
rondando o estar num viver profundo.

Fluindo constante manto adentro,
cada instante que passa mais denso,
mais dentro, mais baixo, imerso, fundo;
a existência, em mim, desse azul-mundo. 

                                     Florianópolis, 17.10.2013

O mar. A infância. A teia. 
Cada mar que se apresenta, a infância permeia. 

A teia. O mar. A infância. 
Quem diria que o mar tem tanta importância.

A infância. A teia. O mar.
Tanta coisa escrita nesse vivenciar. 

                              Florianópolis, 12.10.2013

Grande parte do ser é mar:
mar de dentro, mar de fora.

De fora o mar invade.
De dentro um mar emerge.

Tanta parte do ser é mar...
e aflora.

                                      Florianópolis, 12.10.2013