segunda-feira, 13 de outubro de 2008

As borboletas nunca são achadas

As borboletas nunca são achadas pelas flores.
São elas que escolhem nas quais pousar.
E saem por aí provando
até encontrar o gosto da perenidade...

...e toda flor tem gosto de fugacidade.

As borboletas nunca são pousadas pelas flores.
São elas que escolhem o tempo do namoro
ou o instante de adejar.
E semeiam, a sua escolha, a felicidade...

...e são as flores que ficam com a saudade.

As borboletas nunca sofrem as partidas.
Podem sempre retornar, se quiserem re-pousar,
à seus portos petalados.
E misturar com as flores as cores das aquarelas.

E a flores reviverão as partidas dessas asas tagarelas

As borboletas nunca são achadas.
Mesmo que as flores se espichem em talos até o sol,
continuarão enraizadas
até a gravidade despetalar para si todas as sortes.

Mas até as borboletas têm seus tempos de morte.
E nem tudo se sabe sobre vôos e raízes.

E o que as borboletas não sabem
é que certas flores se desprendem ao ar em cata-ventos
com suas levezas.
Viajando com o vento, ou pairando com a sua ausência.

E o que as flores não sabem
É que as borboletas nem sempre têm forças contra os ventos
Fragilidades de suas naturezas
Por isso carregam consigo o perfume das flores, em essência.

O vento leva, e as borboletas nunca são achadas.
Mas força ele não tem, para fazer as flores serem alçadas.

Um comentário:

Sofia disse...

Esse poema é lindo. E mais lindo ainda é ao lê-lo conseguir exergar aquele quardo do seu quarto, sabe? O das flores que flutuam.
Bom...
Nenhuma flor é a mesma depois de uma borboleta e nenhuma borboleta é a mesmo depois de uma flor.
É só dessas coisa bobas e óbvias que eu consigo falar, acho que não sou boa mesmo em escrever sobre sentimento. Admiro você por conseguir isso!


beijos
a sempre afilhada
Sofia Abreu.